quarta-feira, 8 de junho de 2011

* DE HOMENS E LIVROS


Monteiro Lobato dizia que um país se faz de homens e livros.
Bem, as pessoas não muito românticas e descrentes de frases feitas vão dizer que um país também se faz com mais empregos, com melhor distribuição de renda, com uma política tributária coerente, com uma previdência social que realmente funcione, com verbas respeitáveis para a educação e por aí vai.

Essas pessoas têm razão, mas tudo tem de ter uma gênese, um começo, um sedimento... que precisa ser bem sólido.

Aliás, Confúcio, pensador chinês, dizia que, mesmo para uma caminhada de mil quilômetros, é inevitável começar pelo primeiro passo. Pois é nesse primeiro passo que precisamos estar atentos e fazer a coisa certa, para que todos os passos seguintes sigam o mesmo critério de qualidade.

Não é difícil concluir que o primeiro passo de uma nação em direção de um futuro promissor, sem problemas sociais, começa sempre pelas suas crianças. Elas são como a terra, onde um agricultor, consciente de sua importante tarefa, prepara-a com carinho, afeição e, sobretudo, amor, cultivando-a com as melhores sementes.
Assim como a terra, nossas crianças também precisam ser tratadas com todos esses cuidados e também cultivadas com as melhores sementes, que são os livros, base de uma educação sólida e consistente.

Portanto, procurar despertar e incentivar o hábito pela leitura em nossas crianças é contribuir para que a nação brasileira tenha, de fato, um futuro melhor. Porque será feita de gente bem informada, consciente de seus direitos e deveres e apta para fazer deste país um lugar cada vez melhor para se viver.

Tal como dizia o bom e velho Lobato!

* DÁ-LHE NEGÃO!


         Meu amigo jornalista e médico desportivo Osmar de Oliveira, sempre up to dated com os assuntos do futebol, uma ocasião enviou-me um e-mail com um vídeo anexado que causou-me três sensações inequívocas: de deslumbramento, de orgulho e, como brasileiro que ama o futebol, de vergonha. Esse vídeo está no YouTube e o link está no final do texto. Assistam... talvez vocês tenham as mesas sensações que eu!

         O vídeo faz um ligeiro resumo da extraordinária carreira do mais completo e perfeito jogador de futebol de todos os tempos cujo nome, Pelé, é pequeno demais para representar tamanha grandeza. Mas tamanho de nome não é importante... Maradona tem um nome maior que o próprio ego e no entanto foi apenas um craque, como muitos que temos e tivemos por aqui.

Para aqueles que não viveram a era Pelé, assistir a esse vídeo é entrar ainda que por alguns minutos no maravilhoso universo do verdadeiro futebol arquitetura, do futebol pintura, escultura enfim... do verdadeiro futebol-arte!

A primeira sensação de deslumbramento ficará por conta da técnica apuradíssima de Pelé... com aquelas “matadas” de bola no peito, dribles desconcertantes de todos os tipos, cabeceios de impulsão... incrível! Pelé, às vezes, jogava com as pernas dobradas para melhorar o equilíbrio em função do centro de gravidade do seu corpo, é mole? Olha... tem um gol de “bicicleta” nesse vídeo que até hoje, acredito, aquele goleiro não sabe de onde veio a bola. Quando ele a viu ela já estava no fundo do gol.

As imagens não mentem... é só conferir!

Infelizmente, para o gol mais bonito do Pelé, segundo ele próprio, não há imagem... foi visto apenas por aqueles privilegiados que estavam no campo do Juventus na Moóca em agosto de 1959. O jogo foi pelo Campeonato Paulista entre Juventus e Santos onde Pelé, nesse gol, parecia acionista principal da Ramenzoni distribuindo “chapéus”, um para cada zagueiro e outro para o goleiro... completando a jogada com uma bela cabeçada direto pro gol! Fantástico! Se eu fosse esses zagueiros e o goleiro, eu diria pro juiz que iria até ali fazer xixi e nunca mais voltaria em campo!

Quer dizer... é impossível a gente não sentir orgulho, minha segunda sensação ao assistir o vídeo, em ter nascido no mesmo país que Pelé. Ele excedeu a todas as expectativas que se espera de um bom jogador de futebol. Jogou 1375 partidas e marcou 1284 gols. Numa só partida, em novembro de 64, quando o Santos enfiou 11 gols no Botafogo de Ribeirão Preto só o Pelé marcou 6 gols... foi o seu recorde de gols numa só partida. Pela seleção brasileira ele jogou 115 vezes e marcou 95 gols... até hoje o maior artilheiro na história da nossa seleção! Também foi autor daquele golaço num jogo contra o Fluminense em junho de 61 que deu origem à famosa placa afixada no Maracanã. Hoje qualquer gol bonito a gente diz que foi um “gol de placa”, expressão essa, eu não sabia, inventada pelo Joelmir Beting.

Quer mais? Com apenas 17 anos foi campeão mundial (1958), com apenas 21 (1962) foi bicampeão. Jogou 4 copas do mundo e ganhou três! Em 2000 foi eleito pela FIFA como o Atleta do Século, a frente de Diego Maradona. Até guerra civil o Pelé já parou... foi lá no Congo Belga em 1969, quando o Santos fazia uma excursão pela África e aquele país estava dividido pela guerra. Os caras interromperam o combate só pra ver o negão jogar em duas partidas de exibição.

Mas ao lado do deslumbramento e do orgulho, também tive um ligeiro sentimento de vergonha porque acho que o Pelé nunca teve, após sua aposentadoria como futebolista, o reconhecimento que ele merece. Os americanos caem de quatro pelos seus ídolos do esporte, não importando a época em que atuaram... seja do beisebol, seja do futebol americano ou do basquete. A molecadinha que nasceu ontem e que gosta de jogar beisebol sabe quem foi Babe Ruth, o maior jogador de beisebol de todos os tempos e que atuou de 1915 a 1935... foi o Pelé deles nesse tipo de jogo. Se você perguntar pra outra molecadinha que gosta de basquete se sabe quem foi Michael Jordan não se surpreenda pela resposta positiva. Eu já não tenho muita certeza se a molecadinha que nasceu ontem no Brasil e que gosta de jogar futebol sabe alguma coisa sobre o rei do futebol.

 Mas os EUA divulgam muito os ídolos dos esportes. Em todo lugar vendem-se miniaturas dos jogadores, pôsteres e mil e um badulaques lembrando esses ídolos. Tem até um chocolate, da Nestlé, chamado Babe Ruth. Eu nunca vi um bonequinho, um chaveirinho ou sei lá o quê homenageando o Pelé. Se existiram, porque sumiram? Só o Café Pelé que, acho, era dele mesmo e o Pelezinho do desenhista Maurício de Souza que, infelizmente, também caiu no esquecimento. Não sei se é uma questão de cultura ou de mídia, sei lá... mas no quesito reconhecimento e divulgação de seus ídolos os americanos dão de dez a zero nos brasileiros.

Até mesmo esse apelido, Rei do Futebol, nem fomos nós brasileiros que demos ao Pelé... foram os franceses após a Copa de 58, dando início a essa verdadeira lenda viva e fazendo do Pelé uma das personalidades mais conhecidas do mundo durante o século XX.

Outro dia eu estava fuçando as comunidades do Orkut e caí numa delas sobre futebol que tinha em seu fórum a seguinte questão: “Quem foi melhor... Pelé ou Maradona?”. Só molecada! Parece incrível, mas a maioria das respostas eram em favor de Maradona. Alguns mais espertinhos diziam que era difícil responder porque ambos jogaram em épocas diferentes.

 Bobagem! O tempo pode ter mudado os sistemas de jogos, as técnicas... mas a relação entre um jogador e a bola sempre será a mesma e essa “intimidade” entre ambos sempre dependerá de talento e arte... que Maradona teve, verdade seja dita. Mas Pelé teve muito mais e sobrando!

Também é bobagem ficar comparando os dois e indagando quem foi melhor ou quem fez mais pelo futebol. Basta ver a carreira de cada um. A carreira do Maradona, em muitos momentos, nunca foi flor que se cheirasse! Olha... não me surpreende que a Argentina considere o seu ídolo o maior craque de todos os tempos. Eles são torcedores, nativistas e patriotas, e o Brasil deveria seguir esse exemplo. O que me surpreende é o Maradona acreditar nisso! Depois outra: a gente nem precisaria pensar no Pelé pra disputar esse “quem é quem” no futebol com o Maradona... bastaria o Zico ou o Falcão, tão bons quanto o craque argentino e, me parece, contemporâneos.

Alguns de vocês podem até lembrar que o Pelé andou falando bobagens como “o povo não sabe votar”; que “Romário deveria se aposentar”; que Ronaldo estava acima do peso em 2006; e outras cositas mais! Entendam que quem disse essas coisas não foi o Pelé... foi o cidadão Edson Arantes do Nascimento. O Pelé... o rei do futebol, o amante da bola, aquele que só deu alegrias ao futebol brasileiro já tinha ficado na História.

 Quer saber? Uma lenda viva como ele jamais conseguiria ficar imune às polêmicas; e depois de jogar o que ele jogou, acho que ele tinha o direito de falar o que pensava e até de cantar desafinado tocando aquele violãozinho meia boca dele.

O dr. Osmar de Oliveira, no corpo do e-mail que ele me enviou com o vídeo, disse qualquer coisa assim... nunca houve, não há, nem haverá um jogador de futebol como o Pelé! Nem adianta tentar procurar. Bem... assistam ao vídeo e depois me digam se o doutor está certo ou não!
Eu acho que está...

Eis o link do YouTube...

segunda-feira, 6 de junho de 2011

* SAUDADES DO MENEGHETTI


          Houve um tempo, principalmente na cidade de São Paulo, em que Gino Amleto Meneghetti, um solitário imigrante italiano, levava à loucura toda a polícia paulistana e deliciava a população que lia nos jornais as notícias de seus roubos espetaculares, prisões e fugas cinematográficas.

          Nessa época a cidade era monótona, provinciana e úmida de garoa. Foi o palco principal desse anti-herói que, à noite, com perícia felina, escalava muros e paredes e arrombava janelas com agilidade e destreza incomuns. Seus alvos, na ausência dos donos da casa, eram jóias e dinheiro. Mas na falta desses um jarro de cerâmica ou um cinzeiro de cristal estavam de bom tamanho.

          Não usava armas, nem violência... apenas o silêncio da noite, a ousadia e a vontade férrea de roubar. Usou arma apenas uma vez quando, acuado pela polícia, fez vários disparos a esmo, apenas para intimidar, mas acabou atingindo um comissário de polícia que morreu a caminho do hospital. Pegou 43 anos de prisão, cuja pena foi comutada para 25, mas ficou preso apenas 19. Solto... voltou a roubar, sendo preso e solto muitas outras vezes durante anos até que, em 1968, tentou roubar uma casa na Vila Mariana. Surpreendido, fugiu pelo telhado mas deu azar. O telhado  cedeu aos seus pés e ele afundou com telhas, madeiras e reboco... caindo no banheiro da casa sob os olhares espantados e assustados dos donos.

          Estava então com 81 anos! Ficou 11 meses preso e, depois de solto, tentou ainda mais um golpe, ao roubar uma casa da rua Fradique Coutinho. Mas foi flagrado por um carcereiro que por ali passava e prendeu-o. Meneghetti estava sem documentos e foi somente na delegacia que esse carcereiro e o delegado, atônitos, descobriram quem era o velhinho que estava sendo preso. Consta da crônica policial da época que Meneghetti, entre resignado e sereno, teria declarado ao delegado: “Não é possível ser um bom ladrão sem ter os ouvidos em bom funcionamento. Acho que terei de me aposentar."

          Deu seu golpe final em 1975, aos 98 anos, morrendo no Hospital Samaritano e levando sorrateiramente no bolso do paletó duas de nossas jóias mais preciosas: nossa paz e a doce ilusão de que os ladrões que viriam depois seriam como ele... românticos, desarmados e inofensivos.

          Realmente... doce ilusão e amarga realidade!

          Hoje os marginais não são mais solitários... hoje eles são pequenas peças, pequenas engrenagens que movimentam a poderosa máquina do crime organizado. Se não fazem parte dela, pelo menos ajudam a azeitá-la. Lemos o jornal ou assistimos às reportagens na TV e não rimos mais de gatunas  peripécias como aquelas do Meneghetti... mas ficamos chocados e horrorizados com a crueldade e sangue-frio dos criminosos da atualidade.

          Eles não vacilam ao tirar a vida de alguém por causa de um maço de Malrboro ou por um par de tênis. São capazes de arrastar pelas ruas em disparada o corpo de uma criança, presa a um cinto de segurança, por quilômetros... apenas para roubar um carro. Incendeiam ônibus com passageiros dentro. Com suas armas modernas, assaltam delegacias e matam policiais. Eles não têm medo da morte, nem da vida, nem de nada... e estão soltos por aí!

          Nós é que estamos aprisionados em nossas próprias casas que, por medo, somos obrigados a ficar atrás de grades que, longe de proteger, apenas desafiam os criminosos. Temos medo de andar a pé à noite ou parar nosso carro no sinal vermelho pois até aquele “flanelinha” que nos vem pedir uma moeda nos assusta! Sim! Temos medo de uma criança que nos vem pedir uma esmola... é demais!

          Recentemente li uma entrevista dada por Marcola, um dos grandes chefões do crime, ao jornal O Globo na coluna do Arnaldo Jabor. Mais do que uma entrevista, aquilo me soou como um alerta tenebroso de que “estamos diante de uma espécie de pós-miséria, que gera uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, satélites, celulares, Internet e armas modernas.

    Como ratos e baratas, eles proliferam assustadoramente saindo pelas brechas deixadas por um desenvolvimento caótico e desorganizado. Eles são uma nova espécie, uma terceira onda de mutantes sociais que nascem no lodo da sociedade, se educam na ignorância e tiram o diploma na cadeia. Grande parte deles, como cruéis marionetes, acaba sendo controlada, remotamente, pelos milionários QGs do crime como o PCC e CV sob a égide da multinacional do pó. “Meus comandados...” diz Marcola em sua entrevista “... são uma mutação da espécie social. São fungos de um grande e sujo erro!”.

    Enquanto isso, lá longe, em alguma esquina da eternidade, Meneghetti está esperando por uma oportunidade pra bater a carteira de algum anjo desavisado!

* SÃO PAULO, FELIZ... CIDADE!


O título é provocante! Muitos não concordarão, outros apoiarão. Sei lá! Eu tenho um conceito bastante particular de felicidade. Acho que uma das características principais da felicidade é a vida bem vivida, completa, com experiências suficientes para se contar histórias. Sejam elas boas ou más, tristes ou alegres enfim... histórias vividas! Nossa São Paulo é uma cidade feliz porque vive uma tremenda história... uma não, muitas histórias!
Desde Anchieta, Nóbrega e o cacique Tibiriçá, com a Vila de São Paulo de Piratininga, essa cidade foi sendo repartida em povoados, que se transformaram em vilas e bairros cada um com uma história diferente pra contar. Hoje, são pequenas cidades e grandes histórias dentro da metrópolis. Há bairros em São Paulo com uma população superior a de muitos municípios brasileiros. Assim como há muitos paises que não têm nem a metade do número de habitantes que tem São Paulo.
Com todo esse tamanho e com toda essa gente, só pode ser feliz essa cidade que consegue ser um arquipélago cultural! Porque ela envolve, num só abraço gigantesco, a tudo e a todos... origens, raças, credos, sotaques, violência, tráfego caótico, deseducação urbana e social... tudo isso e muito mais numa espécie de amálgama humanitário. Todos convivem, não sem queixas, claro, mas também não sem orgulho, em meio aos muitos prós e contras de que é feita São Paulo, onde os prós, quase sempre, ofuscam os contras.
Por isso que alguma coisa aconteceu no coração do baiano Veloso quando, pela primeira vez, cruzou a Ipiranga com a São João... era felicidade, mas ele não entendeu. Não entendeu a poesia concreta das esquinas paulistanas, principalmente as quatro esquinas do cruzamento por ele eternizado. Também não percebeu as paulistanas que, cá pra nós, nunca foram deselegantes! Ok, meu bom baiano, eu sei... foi um difícil começo como é pra qualquer um que chega e tem de encarar essa cidade frente a frente. A letra da sua música também foi muito difícil no começo e até hoje, quando encarada frente a frente, muita gente fica meio que boiando com aquele negócio de “deuses da chuva”, “oficinas de florestas” e “áfricas utópicas”. Muito diferente de Narciso que acha feio o que não é espelho, o paulistano adora o que não é compreensível. Por isso ama a sua música, ainda que não entenda direito essas belas imagens tão bem costuradas e que sugerem leituras diferentes. Bem apropriadas para uma cidade que também tem as mais variadas interpretações! Uma cidade onde o Brasil e o mundo inteiro, incluindo gregos, troianos e baianos, pode curtir numa boa.

Assim, na juventude de seus 457 anos, eu acho que São Paulo é uma menina elegante, de poesia concreta... um sonho feliz de cidade, que todos aprendem a chamar de realidade. Porque, como já cantou outro músico chamado Billy Blanco... São Paulo que amanhece trabalhando... São Paulo que não sabe adormecer... São Paulo é uma cidade com os pés no chão e não na areia. Areia só aos fins de semana ou feriados prolongados!
E olhe lá...

* TENHAM PACIÊNCIA, MULHERES!

Muito se fala sobre a TPM da mulher, mas pouco se fala sobre a TPM do homem. A TPM feminina é uma síndrome que ocorre, em maior ou menor grau, durante os 365 dias que antecedem à menstruação e a do homem pode ocorrer a qualquer momento dentro desse período. A TPM na mulher se caracteriza por aumentos significativos nos graus de irritabilidade e ansiedade, gerando dores nas mamas, cefaléia e assassinatos! A do homem não dá tempo de se caracterizar... só ficar esperando a Polícia Técnica para a averiguações e fotografar o cadáver.

Homem que tem TPM normalmente é um marido, noivo ou namorado que tem uma mulher com TPM. Quero dizer, se a TPM feminina é genética a masculina é adquirida... e já ocorre nos primeiros dias de relacionamento quando, por exemplo, você se atrasa para aquele encontro na porta do metrô; ou naquela olhada que você deu para o lado e jura que estava apenas tentando adivinhar a raça do cachorro que aquela loira de calça branca justa e uma pintinha no pescoço vinha trazendo numa coleira. Pronto! A partir daí sua vida começa a virar um inferno! Sem nenhuma intenção de trocadilho, claro, porque mulher com TPM é o capeta! Nessas horas, o homem pode aliviar a própria TPM com uma caixa de bombons Godiva, ou um convite para jantar no Terraço Itália ou, até mesmo, com uma pistola automática, cano longo e mira telescópica. Mostre-me uma mulher calma, feliz e sem sintomas de TPM eu lhe mostrarei um homem em paz. Ainda que com a carteira um pouco mais vazia ou fazendo joguinho da velha numa cela de prisão!

Minha primeira mulher não tinha uma TPM... ela tinha umas TrêsPM e só não era infernal porque provavelmente o diabo não aguentaria o que eu aguentei. Mas ela administrava bem a instabilidade do humor passando roupa. Nessas ocasiões ela adorava passar minhas camisas... comigo dentro! Graças a Deus minha segunda mulher não sabe passar roupa mas, em compensação, tem um faqueiro e a língua afiadíssimos! Sem falar na pontaria com a frigideira, que é infalível!

Mas a TPM, convenhamos, é uma espécie de mal necessário... assim como o apêndice e o pomo de Adão. Sem dúvida, é o melhor termômetro para se medir a temperatura de uma relação e com ela inferir o quanto esse casal se ama. Um amor que sobrevive a crises de TPM é um amor grandioso, arrebatador e, certamente, passará incólume por problemas corriqueiros como camisas com marca de batom e feijão salgado demais. Quando triunfa a TPM não triunfará o amor que, provavelmente, já não existia no início da relação ou se existia não era forte o suficiente e, na primeira crise, foi nocauteado. Quer melhor parâmetro para se medir o tamanho do amor entre o casal?

Por isso, meu amigo, eu digo: esse mal não tem cura mas, ainda que paliativo, tem remédio... desde que seu amor por ela, claro, seja maior do que sua paciência. Se por uma distração qualquer você se queixar da comida durante uma crise de TPM e notar que ela se levantou da mesa e caminhou em direção do faqueiro, esqueça sua própria TPM e enfrente a fera com aquele convite para jantar no Terraço Itália. Se não for o caso e a pistola automática estiver longe do seu alcance saia correndo imediatamente... e seja o que Deus quiser!